segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

The End (for now)

Fui dar uma olhada nos blogs que estão linkados ao meu e vi que o meu é o mais atualizado, alguns têm como post mais recente textos de 2009. Blog, com certeza, não é a onda do momento. Mas eu sigo nessa maré e por qual motivo? Eu não sei. Faz quatro que eu fui convidado para entrar no Di Profundis, fundado pelo meu amigo Tiago Rocha, o qual não me fez nenhum pedido especial de linha a seguir. Portanto, tive total liberdade de expressar meus sentimentos. Em 2007, por questões pessoais, resolvi deixar de fazer parte do Di Profundis e criar um blog só para mim, eis aí o On The Beat of Niks. Passado todo esse tempo eu continuo desabafando e normalmente sobre os mesmos assuntos, ou seja, fica claro que resolvi poucos problemas da minha existência nesse tempo todo e aqui nesse novo espaço ficou ainda mais difícil. Pois, poucos o conhecem e é ainda menor o número de pessoas que visita, quanto a interação e feedback em relação aos textos é quase nulo. Talvez esteja na hora de parar, esta terapia virtual precisa de um rompimento e eu como cliente vou fugir do meu terapeuta, por enquanto.
A razão deve estar com o meu amigo Pietro que veementemente defende que as pessoas devem ser mais reservadas e buscar as respostas para seus problemas em si mesmas. Eu não gosto disso, prefiro interagir e receber respostas que ajudam a avaliar o que estou fazendo, em que pese eu dificilmente mude minha ideia inicial. Terminando a faculdade chego até um momento de muitas incertezas e os erros que cometi durante os cinco anos de curso redundam em uma falta de crença bárbara no que virá pela frente. Eu não sei o que será de mim, se terei algum sucesso profissional, se vou conseguir superar minhas dificuldades de relacionamento e comprometimento com disciplina em relação às questões pessoais. Por vezes, eu me sinto condenado pelo meu destino, por minha família, pelo meu passado, por meus amigos, amores, etc. Parece que nada vai mudar e que eu estou fadado ao fracasso e que vim para este mundo para representar o papel 'loser', tão bem explorado na dramaturgia estadunidense. Já pensei em desistir, agora gostaria de ter mais pelo que viver. Ainda não achei uma resposta de por quê viver? Ou o que é viver? Mas sigo errante meu caminho de perseverança alucinada tal qual um 'anjo da desolação', que sequer pode ser mais um 'vagabundo iluminado'. Com isso tudo deixo meu desabafo final por aqui, não prometendo ser coerente e nem digo nunca mais blog. Posso voltar a qualquer momento ou nunca mais. Para quem quiser ainda destilo meu veneno e desolação no Twitter @RodrigoRamosGA. Sem mais pelo momento, um abraço cordial em todos, principalmente aos que acreditam em alguma coisa além do senso comum que nos é vendido todos os dias em todos os lugares.

domingo, 19 de dezembro de 2010

O escolhido (para perder)

Penso sobre uma série de situações, das quais entendo pouco para sair fazendo afirmações. Mesmo assim as faço. Sempre tive interesse em política, com seis anos eu lia a Zero Hora curiosíssimo para chegar até a seção que envolvia o tema. A partir daí sempre acreditei na oposição, via Lula e principalmente Brizola como ícones e minha família seguia essa tendência. Portanto, eu me sentia legitimado. Fui PT na época em que isso deveria significar vergonha, ainda mais nos locais em que vivia e tinha minhas interações sociais. Ser PT para as pessoas de classe média-alta era o mesmo que ser criminoso. Eu gostava disso, sempre fui do contra. Para mim era motivo de orgulho ser diferente, ou pelo menos pensar que era diferente. Claro que com tão pouca idade o máximo que eu tinha de percepção política eram as noções maniqueístas e falaciosas de direita/esquerda.
Vi a ascensão e o Império de Fernando Henrique no Brasil e tudo o que isso representou, mas em sua reeleição tive o prazer de assistir também a eleição de Olívio Dutra como governador do meu estado. Ali tive uma primeira decepção em relação ao então 'meu partido', a gestão do PT no Piratini não foi das melhores, claro tem de ser avaliada a herança maldita deixada por Britto e sua trupe. De qualquer forma seguia acreditando piamente no lulismo e que isso poderia ser a tábua de salvação para o nosso país.
Finalmente veio 2002 e a vitória de Lula depois de tantas tentativas, já um pouco mais maduro acompanhei com emoção sua posse em Brasília e esperava uma guinada forte rumo às conquistas sociais com a sua tomada no governo. Porém, lá chegando, o Partido dos Trabalhadores seguiu a mesma lógica de seus antecessores e parece ter esquecido completamente de seus ideais e promessas anteriores. A ruptura com o FMI, o fim do privilégio aos banqueiros, etc. Tudo continuou. Pelo menos a ALCA foi sepultada. Eu gostava de me referir ao governo Lula como o terceiro mandato de FHC. Decepção pouca era bobagem. Os escândalos ocorridos só ajudaram nisso e vi surgir na luta da coerência dos fundadores do PSOL uma esperança. Minhas restrições ao Lula eram tantas que me vi obrigado no 2º turno do pleito presidencial de 2006 a votar em Geraldo Alckmin, do PSDB (isso ainda me dá asco), sabia que não sairia vitorioso mas era a minha forma de protestar. O novo mandato concedido para Lula teve nova composição de forças, com vitória calcada no Nordeste, parte do país mais beneficiada com as políticas assistencialistas de seu governo. Enquanto que seus históricos sustentadores lhe deram as costas, aqui no Rio Grande do Sul, histórico solo petista ele foi derrotado por Alckmin.
O segundo mandato de Lula não diferiu em grande coisa do primeiro, muitas caridades com as infinitas 'bolsas' e a adequação com o que pediam os atores internacionais. Nem o mais otimista dos lobbistas esperava que nosso presidente foce ser tão dócil com o poder em suas mãos. A grande diferença para mim, ocorreu comigo mesmo. Comecei a relevar os equívocos e avaliar com maior carinho os acertos da administração petista. Em muito isso se deve ao que aprendi e absorvi nesses anos todos, acredito que o homem em sua essência é ruim e que sem o Estado viveriamos no caos teorizado por Hobbes, o que me faz crer na impossibilidade do Comunismo, havendo quando muito a brecha para uma implantação de uma ditadura de esquerda. Além disso, acho que é claro ser também impossível que todos os países e todas as pessoas tenham a mesma condições, a ideia de igualdade é um mito, vendido para acalmar as massas. Então, devemos no máximo conseguir amenizar as desigualdades e controlar a massa de manobra para que exista o menor número de problemas possíveis.
Nunca fui simpático em relação a Dilma Rousseff, ela me parece uma pessoa intragável por natureza. Mas, considerei que um retorno do PSDB a Brasília seria uma temeridade no momento, achava importante soterrar os neoliberais de uma vez por todas e conseguir eleger Dilma seria o tiro de misericórdia. Dando, com isso, oportunidade para uma reestruturação do pensamento oposicionista que ainda age da mesma forma exposta por Collor em 1989. O neoliberalismo está ultrapassado e tem de ser superado por seus defensores. Com isso em mente fui convicto em votar na primeira mulher presidente do Brasil. Apesar de imprensa e dos boatos via Interner, Dilma venceu e a possibilidade de pelo menos mais dois mandatos do PT me parece muito forte. Isso, sem dúvida, irá modificar o Brasil, não sei se para melhor ou pior, mas na mesma não vai ficar. A composição de nossa Corte Superior de justiça é um exemplo disso, temos um negro atualmente nessa corte o que era impensável antigamente. Alguns problemas históricos tem de ser superados, vejo como primordial uma verdadeira laicização do Estado brasileiro, a força da igreja católica ainda é muito grande. Não pode ser assim. Isso impede boa parte das mudanças fundamentais que são necessárias nesse país, vide o aborto e as questões envolvendo as drogas ilícitas.
Eu não sei me definir politicamente, até por não ser um conhecedor do assunto. Parto do princípio que a política é o único caminho para as melhorias dentro da sociedade e que por isso o sistema tem de ser aperfeiçoado, o qual possa impedir tamanha influência do poder econômico nas decisões de nossos governantes e legisladores. Trazendo a conclusão para uma questão micro, vejo que consigo desagradar gregos e troianos. Para aqueles defensores de valores mais conservadores, sou visto como uma reencarnação malfadada de Che Guevara. Por outro lado, os mais fervorosos defensores das políticas de esquerda, me consideram um perfeito e legítimo representante da burguesia, o qual advogaria por um centrismo exacerbado calcado na crença do Estado Democrático de Direito.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Houve um tempo

Houve um tempo em que falávamos, no qual havia uma certeza de que tudo mudaria. Houve um tempo em que éramos companheiros, em que dividiamos vitórias e derrotas. Mas houve o tempo da tristeza perpassar nossas vidas. A alegria estava tão distante, não parecia possível poder alcançá-la. E há este tempo em que você não está aqui e o vazio parece tão cheio.
Próximo do Natal é aquela correria habitual, todos com o décimo-terceiro em mãos e ávidos para gastar e ninguém se lembra do pobra menino jesus. Eu não comprei meus presentes ainda, a falta de tempo me impede. Na verdade não me impede mais, mas não estou preocupado.
Eu ainda penso nela e me pergunto por quê ela? O que tem de tão especial? Na verdade não tem, mas consegui projetar uma imagem tão fantástica dela que, não consigo esquecer. Minha mente é fértil demais para o meu gosto.
Pequenas frases com conclusões de pouca monta, isso é influência do Twitter. Porém, parece contaminar meu texto normal. Difícil esquecer que aqui tenho mais de 140 caractéres. A superficialidade é obrigatória para vivermos no século XXI. Pelo menos, tem sido assim nessa primeira década e como sou determinista (infelizmente) penso que assim será pelo restante do século.
Sempre me disseram que não é bonito rir da desgraça alheia. Mas, às vezes, é inevitável. As pessoas tendem a choramingar que sempre quebram a cara, de qualquer maneira, optam pela opção que parece mais duvidosa. Aí ocorre um final cruel. Lamento, mas tenho que rir. Típicas situações de apontar o dedo e falar: eu te disse!
Quero atacar tantos pontos em um mesmo local, mas me falta a devida propriedade e profundidade para fazê-lo. Então, ficam estes porcos parágrafos de parcas ideias e muitas duvidas para ajudar, ou não, a digerir o glorioso final de ano.
Sim, não sou um homeme livre, estou fatalmente atrelado a tudo que vi, vivi, senti, li, escrevi e compreendi ou não consegui compreender. Mas ao fim e ao cabo eu venço minhas batalhas. Mesmo as mais aflitas.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Flávia

Crescida em uma chamada área de vulnerabilidade, o que sonhava aquela menina, quais seriam suas aspirações. Mas o que esperar de uma casa que tem por chefe um bêbado? Carinho é que não poderia ser. Acostumada com os problemas trazidos pelo genitor, foi perdendo as esperanças. No entanto, o pior estava por vir. O problema do álcool de seu pai se tornou tão grave que este passou a abusar sexualmente da jovem. Mas, sim, podia piorar. Os abusos não cessaram e depois vieram outros de outras pessoas. Violência pouca é bobagem.
Aos 12 anos estava grávida, a filha como não poderia deixar de ser era fruto de uma violência sexual e vieram mais três rebentos dessa forma. Eis que aos 16 anos Flávia toma uma atitude, compra uma arma o que não era difícil de conseguir em sua vila e vai a desforra. Começa por casa e mata o seu pai. Depois, vai atrás de cada um de seus abusadores sem poupar nenhum. Ao contrário dos violentos que acabaram com a chance de uma vida sem traumas para ela, Flávia foi presa e condenada a cumprir mais de 20 anos de cadeia.
O que passava pela cabeça de Flávia? Ela apenas se vingou. Sempre ouvira falar no olho por olho, dente por dente e estava sendo punida por isso... É, não fazia muito sentido mesmo, mas lá foi aquela outrora criança abalada cumprir sua pena. Antes de chegar a casa prisional Flávia já tinha um certo amadurecimento, advindo de sua vida por demais vivida. Uma coisa ela já tinha em mente, ninguém a colocaria em posição de inferioridade e ela não deveria satisfação para ninguém. No cárcere tornou-se intratável, era considerada "bandida perigosa", sempre pronta a arrumar confusão. Alguém poderia desconfiar que ela não tinha mais sentimentos, mas era ledo engano, os tinha e com afinco. Uma companheira de presídio acabou por despertar seu interesse e a recíproca era verdadeira. Com sua cara metade ela conseguia fugir do seu estereótipo e demonstrar um pouco de carinho.
Flávia teve a oportunidade de estudar na cadeia, graças a um convênio entre o Poder Público e uma Instituição de Ensino. O curso ofertado era o de assistente social. Quando da inscrição dela para a atividade, todos os professores foram alertados sobre seu gênio e as dificuldades de relacionamento que ela tinha. Para surpresa geral, aos poucos, a carranca foi dando lugar a uma atitude mais positiva e pró-ativa. Na realidade, existia ali uma grande aluna e com grandes pretensões. Graduou-se ainda na prisão e ainda teria de esperar mais um pouco por sua liberdade. Mas não havia dúvidas queria seguir carreira, estava absolutamente convencida de que o curso feito era aquele moldado para ela.