Fui dar uma olhada nos blogs que estão linkados ao meu e vi que o meu é o mais atualizado, alguns têm como post mais recente textos de 2009. Blog, com certeza, não é a onda do momento. Mas eu sigo nessa maré e por qual motivo? Eu não sei. Faz quatro que eu fui convidado para entrar no Di Profundis, fundado pelo meu amigo Tiago Rocha, o qual não me fez nenhum pedido especial de linha a seguir. Portanto, tive total liberdade de expressar meus sentimentos. Em 2007, por questões pessoais, resolvi deixar de fazer parte do Di Profundis e criar um blog só para mim, eis aí o On The Beat of Niks. Passado todo esse tempo eu continuo desabafando e normalmente sobre os mesmos assuntos, ou seja, fica claro que resolvi poucos problemas da minha existência nesse tempo todo e aqui nesse novo espaço ficou ainda mais difícil. Pois, poucos o conhecem e é ainda menor o número de pessoas que visita, quanto a interação e feedback em relação aos textos é quase nulo. Talvez esteja na hora de parar, esta terapia virtual precisa de um rompimento e eu como cliente vou fugir do meu terapeuta, por enquanto.
A razão deve estar com o meu amigo Pietro que veementemente defende que as pessoas devem ser mais reservadas e buscar as respostas para seus problemas em si mesmas. Eu não gosto disso, prefiro interagir e receber respostas que ajudam a avaliar o que estou fazendo, em que pese eu dificilmente mude minha ideia inicial. Terminando a faculdade chego até um momento de muitas incertezas e os erros que cometi durante os cinco anos de curso redundam em uma falta de crença bárbara no que virá pela frente. Eu não sei o que será de mim, se terei algum sucesso profissional, se vou conseguir superar minhas dificuldades de relacionamento e comprometimento com disciplina em relação às questões pessoais. Por vezes, eu me sinto condenado pelo meu destino, por minha família, pelo meu passado, por meus amigos, amores, etc. Parece que nada vai mudar e que eu estou fadado ao fracasso e que vim para este mundo para representar o papel 'loser', tão bem explorado na dramaturgia estadunidense. Já pensei em desistir, agora gostaria de ter mais pelo que viver. Ainda não achei uma resposta de por quê viver? Ou o que é viver? Mas sigo errante meu caminho de perseverança alucinada tal qual um 'anjo da desolação', que sequer pode ser mais um 'vagabundo iluminado'. Com isso tudo deixo meu desabafo final por aqui, não prometendo ser coerente e nem digo nunca mais blog. Posso voltar a qualquer momento ou nunca mais. Para quem quiser ainda destilo meu veneno e desolação no Twitter @RodrigoRamosGA. Sem mais pelo momento, um abraço cordial em todos, principalmente aos que acreditam em alguma coisa além do senso comum que nos é vendido todos os dias em todos os lugares.
segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
domingo, 19 de dezembro de 2010
O escolhido (para perder)
Penso sobre uma série de situações, das quais entendo pouco para sair fazendo afirmações. Mesmo assim as faço. Sempre tive interesse em política, com seis anos eu lia a Zero Hora curiosíssimo para chegar até a seção que envolvia o tema. A partir daí sempre acreditei na oposição, via Lula e principalmente Brizola como ícones e minha família seguia essa tendência. Portanto, eu me sentia legitimado. Fui PT na época em que isso deveria significar vergonha, ainda mais nos locais em que vivia e tinha minhas interações sociais. Ser PT para as pessoas de classe média-alta era o mesmo que ser criminoso. Eu gostava disso, sempre fui do contra. Para mim era motivo de orgulho ser diferente, ou pelo menos pensar que era diferente. Claro que com tão pouca idade o máximo que eu tinha de percepção política eram as noções maniqueístas e falaciosas de direita/esquerda.
Vi a ascensão e o Império de Fernando Henrique no Brasil e tudo o que isso representou, mas em sua reeleição tive o prazer de assistir também a eleição de Olívio Dutra como governador do meu estado. Ali tive uma primeira decepção em relação ao então 'meu partido', a gestão do PT no Piratini não foi das melhores, claro tem de ser avaliada a herança maldita deixada por Britto e sua trupe. De qualquer forma seguia acreditando piamente no lulismo e que isso poderia ser a tábua de salvação para o nosso país.
Finalmente veio 2002 e a vitória de Lula depois de tantas tentativas, já um pouco mais maduro acompanhei com emoção sua posse em Brasília e esperava uma guinada forte rumo às conquistas sociais com a sua tomada no governo. Porém, lá chegando, o Partido dos Trabalhadores seguiu a mesma lógica de seus antecessores e parece ter esquecido completamente de seus ideais e promessas anteriores. A ruptura com o FMI, o fim do privilégio aos banqueiros, etc. Tudo continuou. Pelo menos a ALCA foi sepultada. Eu gostava de me referir ao governo Lula como o terceiro mandato de FHC. Decepção pouca era bobagem. Os escândalos ocorridos só ajudaram nisso e vi surgir na luta da coerência dos fundadores do PSOL uma esperança. Minhas restrições ao Lula eram tantas que me vi obrigado no 2º turno do pleito presidencial de 2006 a votar em Geraldo Alckmin, do PSDB (isso ainda me dá asco), sabia que não sairia vitorioso mas era a minha forma de protestar. O novo mandato concedido para Lula teve nova composição de forças, com vitória calcada no Nordeste, parte do país mais beneficiada com as políticas assistencialistas de seu governo. Enquanto que seus históricos sustentadores lhe deram as costas, aqui no Rio Grande do Sul, histórico solo petista ele foi derrotado por Alckmin.
O segundo mandato de Lula não diferiu em grande coisa do primeiro, muitas caridades com as infinitas 'bolsas' e a adequação com o que pediam os atores internacionais. Nem o mais otimista dos lobbistas esperava que nosso presidente foce ser tão dócil com o poder em suas mãos. A grande diferença para mim, ocorreu comigo mesmo. Comecei a relevar os equívocos e avaliar com maior carinho os acertos da administração petista. Em muito isso se deve ao que aprendi e absorvi nesses anos todos, acredito que o homem em sua essência é ruim e que sem o Estado viveriamos no caos teorizado por Hobbes, o que me faz crer na impossibilidade do Comunismo, havendo quando muito a brecha para uma implantação de uma ditadura de esquerda. Além disso, acho que é claro ser também impossível que todos os países e todas as pessoas tenham a mesma condições, a ideia de igualdade é um mito, vendido para acalmar as massas. Então, devemos no máximo conseguir amenizar as desigualdades e controlar a massa de manobra para que exista o menor número de problemas possíveis.
Nunca fui simpático em relação a Dilma Rousseff, ela me parece uma pessoa intragável por natureza. Mas, considerei que um retorno do PSDB a Brasília seria uma temeridade no momento, achava importante soterrar os neoliberais de uma vez por todas e conseguir eleger Dilma seria o tiro de misericórdia. Dando, com isso, oportunidade para uma reestruturação do pensamento oposicionista que ainda age da mesma forma exposta por Collor em 1989. O neoliberalismo está ultrapassado e tem de ser superado por seus defensores. Com isso em mente fui convicto em votar na primeira mulher presidente do Brasil. Apesar de imprensa e dos boatos via Interner, Dilma venceu e a possibilidade de pelo menos mais dois mandatos do PT me parece muito forte. Isso, sem dúvida, irá modificar o Brasil, não sei se para melhor ou pior, mas na mesma não vai ficar. A composição de nossa Corte Superior de justiça é um exemplo disso, temos um negro atualmente nessa corte o que era impensável antigamente. Alguns problemas históricos tem de ser superados, vejo como primordial uma verdadeira laicização do Estado brasileiro, a força da igreja católica ainda é muito grande. Não pode ser assim. Isso impede boa parte das mudanças fundamentais que são necessárias nesse país, vide o aborto e as questões envolvendo as drogas ilícitas.
Eu não sei me definir politicamente, até por não ser um conhecedor do assunto. Parto do princípio que a política é o único caminho para as melhorias dentro da sociedade e que por isso o sistema tem de ser aperfeiçoado, o qual possa impedir tamanha influência do poder econômico nas decisões de nossos governantes e legisladores. Trazendo a conclusão para uma questão micro, vejo que consigo desagradar gregos e troianos. Para aqueles defensores de valores mais conservadores, sou visto como uma reencarnação malfadada de Che Guevara. Por outro lado, os mais fervorosos defensores das políticas de esquerda, me consideram um perfeito e legítimo representante da burguesia, o qual advogaria por um centrismo exacerbado calcado na crença do Estado Democrático de Direito.
Vi a ascensão e o Império de Fernando Henrique no Brasil e tudo o que isso representou, mas em sua reeleição tive o prazer de assistir também a eleição de Olívio Dutra como governador do meu estado. Ali tive uma primeira decepção em relação ao então 'meu partido', a gestão do PT no Piratini não foi das melhores, claro tem de ser avaliada a herança maldita deixada por Britto e sua trupe. De qualquer forma seguia acreditando piamente no lulismo e que isso poderia ser a tábua de salvação para o nosso país.
Finalmente veio 2002 e a vitória de Lula depois de tantas tentativas, já um pouco mais maduro acompanhei com emoção sua posse em Brasília e esperava uma guinada forte rumo às conquistas sociais com a sua tomada no governo. Porém, lá chegando, o Partido dos Trabalhadores seguiu a mesma lógica de seus antecessores e parece ter esquecido completamente de seus ideais e promessas anteriores. A ruptura com o FMI, o fim do privilégio aos banqueiros, etc. Tudo continuou. Pelo menos a ALCA foi sepultada. Eu gostava de me referir ao governo Lula como o terceiro mandato de FHC. Decepção pouca era bobagem. Os escândalos ocorridos só ajudaram nisso e vi surgir na luta da coerência dos fundadores do PSOL uma esperança. Minhas restrições ao Lula eram tantas que me vi obrigado no 2º turno do pleito presidencial de 2006 a votar em Geraldo Alckmin, do PSDB (isso ainda me dá asco), sabia que não sairia vitorioso mas era a minha forma de protestar. O novo mandato concedido para Lula teve nova composição de forças, com vitória calcada no Nordeste, parte do país mais beneficiada com as políticas assistencialistas de seu governo. Enquanto que seus históricos sustentadores lhe deram as costas, aqui no Rio Grande do Sul, histórico solo petista ele foi derrotado por Alckmin.
O segundo mandato de Lula não diferiu em grande coisa do primeiro, muitas caridades com as infinitas 'bolsas' e a adequação com o que pediam os atores internacionais. Nem o mais otimista dos lobbistas esperava que nosso presidente foce ser tão dócil com o poder em suas mãos. A grande diferença para mim, ocorreu comigo mesmo. Comecei a relevar os equívocos e avaliar com maior carinho os acertos da administração petista. Em muito isso se deve ao que aprendi e absorvi nesses anos todos, acredito que o homem em sua essência é ruim e que sem o Estado viveriamos no caos teorizado por Hobbes, o que me faz crer na impossibilidade do Comunismo, havendo quando muito a brecha para uma implantação de uma ditadura de esquerda. Além disso, acho que é claro ser também impossível que todos os países e todas as pessoas tenham a mesma condições, a ideia de igualdade é um mito, vendido para acalmar as massas. Então, devemos no máximo conseguir amenizar as desigualdades e controlar a massa de manobra para que exista o menor número de problemas possíveis.
Nunca fui simpático em relação a Dilma Rousseff, ela me parece uma pessoa intragável por natureza. Mas, considerei que um retorno do PSDB a Brasília seria uma temeridade no momento, achava importante soterrar os neoliberais de uma vez por todas e conseguir eleger Dilma seria o tiro de misericórdia. Dando, com isso, oportunidade para uma reestruturação do pensamento oposicionista que ainda age da mesma forma exposta por Collor em 1989. O neoliberalismo está ultrapassado e tem de ser superado por seus defensores. Com isso em mente fui convicto em votar na primeira mulher presidente do Brasil. Apesar de imprensa e dos boatos via Interner, Dilma venceu e a possibilidade de pelo menos mais dois mandatos do PT me parece muito forte. Isso, sem dúvida, irá modificar o Brasil, não sei se para melhor ou pior, mas na mesma não vai ficar. A composição de nossa Corte Superior de justiça é um exemplo disso, temos um negro atualmente nessa corte o que era impensável antigamente. Alguns problemas históricos tem de ser superados, vejo como primordial uma verdadeira laicização do Estado brasileiro, a força da igreja católica ainda é muito grande. Não pode ser assim. Isso impede boa parte das mudanças fundamentais que são necessárias nesse país, vide o aborto e as questões envolvendo as drogas ilícitas.
Eu não sei me definir politicamente, até por não ser um conhecedor do assunto. Parto do princípio que a política é o único caminho para as melhorias dentro da sociedade e que por isso o sistema tem de ser aperfeiçoado, o qual possa impedir tamanha influência do poder econômico nas decisões de nossos governantes e legisladores. Trazendo a conclusão para uma questão micro, vejo que consigo desagradar gregos e troianos. Para aqueles defensores de valores mais conservadores, sou visto como uma reencarnação malfadada de Che Guevara. Por outro lado, os mais fervorosos defensores das políticas de esquerda, me consideram um perfeito e legítimo representante da burguesia, o qual advogaria por um centrismo exacerbado calcado na crença do Estado Democrático de Direito.
quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
Houve um tempo
Houve um tempo em que falávamos, no qual havia uma certeza de que tudo mudaria. Houve um tempo em que éramos companheiros, em que dividiamos vitórias e derrotas. Mas houve o tempo da tristeza perpassar nossas vidas. A alegria estava tão distante, não parecia possível poder alcançá-la. E há este tempo em que você não está aqui e o vazio parece tão cheio.
Próximo do Natal é aquela correria habitual, todos com o décimo-terceiro em mãos e ávidos para gastar e ninguém se lembra do pobra menino jesus. Eu não comprei meus presentes ainda, a falta de tempo me impede. Na verdade não me impede mais, mas não estou preocupado.
Eu ainda penso nela e me pergunto por quê ela? O que tem de tão especial? Na verdade não tem, mas consegui projetar uma imagem tão fantástica dela que, não consigo esquecer. Minha mente é fértil demais para o meu gosto.
Pequenas frases com conclusões de pouca monta, isso é influência do Twitter. Porém, parece contaminar meu texto normal. Difícil esquecer que aqui tenho mais de 140 caractéres. A superficialidade é obrigatória para vivermos no século XXI. Pelo menos, tem sido assim nessa primeira década e como sou determinista (infelizmente) penso que assim será pelo restante do século.
Sempre me disseram que não é bonito rir da desgraça alheia. Mas, às vezes, é inevitável. As pessoas tendem a choramingar que sempre quebram a cara, de qualquer maneira, optam pela opção que parece mais duvidosa. Aí ocorre um final cruel. Lamento, mas tenho que rir. Típicas situações de apontar o dedo e falar: eu te disse!
Quero atacar tantos pontos em um mesmo local, mas me falta a devida propriedade e profundidade para fazê-lo. Então, ficam estes porcos parágrafos de parcas ideias e muitas duvidas para ajudar, ou não, a digerir o glorioso final de ano.
Sim, não sou um homeme livre, estou fatalmente atrelado a tudo que vi, vivi, senti, li, escrevi e compreendi ou não consegui compreender. Mas ao fim e ao cabo eu venço minhas batalhas. Mesmo as mais aflitas.
Próximo do Natal é aquela correria habitual, todos com o décimo-terceiro em mãos e ávidos para gastar e ninguém se lembra do pobra menino jesus. Eu não comprei meus presentes ainda, a falta de tempo me impede. Na verdade não me impede mais, mas não estou preocupado.
Eu ainda penso nela e me pergunto por quê ela? O que tem de tão especial? Na verdade não tem, mas consegui projetar uma imagem tão fantástica dela que, não consigo esquecer. Minha mente é fértil demais para o meu gosto.
Pequenas frases com conclusões de pouca monta, isso é influência do Twitter. Porém, parece contaminar meu texto normal. Difícil esquecer que aqui tenho mais de 140 caractéres. A superficialidade é obrigatória para vivermos no século XXI. Pelo menos, tem sido assim nessa primeira década e como sou determinista (infelizmente) penso que assim será pelo restante do século.
Sempre me disseram que não é bonito rir da desgraça alheia. Mas, às vezes, é inevitável. As pessoas tendem a choramingar que sempre quebram a cara, de qualquer maneira, optam pela opção que parece mais duvidosa. Aí ocorre um final cruel. Lamento, mas tenho que rir. Típicas situações de apontar o dedo e falar: eu te disse!
Quero atacar tantos pontos em um mesmo local, mas me falta a devida propriedade e profundidade para fazê-lo. Então, ficam estes porcos parágrafos de parcas ideias e muitas duvidas para ajudar, ou não, a digerir o glorioso final de ano.
Sim, não sou um homeme livre, estou fatalmente atrelado a tudo que vi, vivi, senti, li, escrevi e compreendi ou não consegui compreender. Mas ao fim e ao cabo eu venço minhas batalhas. Mesmo as mais aflitas.
segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
Flávia
Crescida em uma chamada área de vulnerabilidade, o que sonhava aquela menina, quais seriam suas aspirações. Mas o que esperar de uma casa que tem por chefe um bêbado? Carinho é que não poderia ser. Acostumada com os problemas trazidos pelo genitor, foi perdendo as esperanças. No entanto, o pior estava por vir. O problema do álcool de seu pai se tornou tão grave que este passou a abusar sexualmente da jovem. Mas, sim, podia piorar. Os abusos não cessaram e depois vieram outros de outras pessoas. Violência pouca é bobagem.
Aos 12 anos estava grávida, a filha como não poderia deixar de ser era fruto de uma violência sexual e vieram mais três rebentos dessa forma. Eis que aos 16 anos Flávia toma uma atitude, compra uma arma o que não era difícil de conseguir em sua vila e vai a desforra. Começa por casa e mata o seu pai. Depois, vai atrás de cada um de seus abusadores sem poupar nenhum. Ao contrário dos violentos que acabaram com a chance de uma vida sem traumas para ela, Flávia foi presa e condenada a cumprir mais de 20 anos de cadeia.
O que passava pela cabeça de Flávia? Ela apenas se vingou. Sempre ouvira falar no olho por olho, dente por dente e estava sendo punida por isso... É, não fazia muito sentido mesmo, mas lá foi aquela outrora criança abalada cumprir sua pena. Antes de chegar a casa prisional Flávia já tinha um certo amadurecimento, advindo de sua vida por demais vivida. Uma coisa ela já tinha em mente, ninguém a colocaria em posição de inferioridade e ela não deveria satisfação para ninguém. No cárcere tornou-se intratável, era considerada "bandida perigosa", sempre pronta a arrumar confusão. Alguém poderia desconfiar que ela não tinha mais sentimentos, mas era ledo engano, os tinha e com afinco. Uma companheira de presídio acabou por despertar seu interesse e a recíproca era verdadeira. Com sua cara metade ela conseguia fugir do seu estereótipo e demonstrar um pouco de carinho.
Flávia teve a oportunidade de estudar na cadeia, graças a um convênio entre o Poder Público e uma Instituição de Ensino. O curso ofertado era o de assistente social. Quando da inscrição dela para a atividade, todos os professores foram alertados sobre seu gênio e as dificuldades de relacionamento que ela tinha. Para surpresa geral, aos poucos, a carranca foi dando lugar a uma atitude mais positiva e pró-ativa. Na realidade, existia ali uma grande aluna e com grandes pretensões. Graduou-se ainda na prisão e ainda teria de esperar mais um pouco por sua liberdade. Mas não havia dúvidas queria seguir carreira, estava absolutamente convencida de que o curso feito era aquele moldado para ela.
Aos 12 anos estava grávida, a filha como não poderia deixar de ser era fruto de uma violência sexual e vieram mais três rebentos dessa forma. Eis que aos 16 anos Flávia toma uma atitude, compra uma arma o que não era difícil de conseguir em sua vila e vai a desforra. Começa por casa e mata o seu pai. Depois, vai atrás de cada um de seus abusadores sem poupar nenhum. Ao contrário dos violentos que acabaram com a chance de uma vida sem traumas para ela, Flávia foi presa e condenada a cumprir mais de 20 anos de cadeia.
O que passava pela cabeça de Flávia? Ela apenas se vingou. Sempre ouvira falar no olho por olho, dente por dente e estava sendo punida por isso... É, não fazia muito sentido mesmo, mas lá foi aquela outrora criança abalada cumprir sua pena. Antes de chegar a casa prisional Flávia já tinha um certo amadurecimento, advindo de sua vida por demais vivida. Uma coisa ela já tinha em mente, ninguém a colocaria em posição de inferioridade e ela não deveria satisfação para ninguém. No cárcere tornou-se intratável, era considerada "bandida perigosa", sempre pronta a arrumar confusão. Alguém poderia desconfiar que ela não tinha mais sentimentos, mas era ledo engano, os tinha e com afinco. Uma companheira de presídio acabou por despertar seu interesse e a recíproca era verdadeira. Com sua cara metade ela conseguia fugir do seu estereótipo e demonstrar um pouco de carinho.
Flávia teve a oportunidade de estudar na cadeia, graças a um convênio entre o Poder Público e uma Instituição de Ensino. O curso ofertado era o de assistente social. Quando da inscrição dela para a atividade, todos os professores foram alertados sobre seu gênio e as dificuldades de relacionamento que ela tinha. Para surpresa geral, aos poucos, a carranca foi dando lugar a uma atitude mais positiva e pró-ativa. Na realidade, existia ali uma grande aluna e com grandes pretensões. Graduou-se ainda na prisão e ainda teria de esperar mais um pouco por sua liberdade. Mas não havia dúvidas queria seguir carreira, estava absolutamente convencida de que o curso feito era aquele moldado para ela.
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
Aniversário
Esse é um dia fadado à repetição de sentimentos, por mais que eu faça eu acabo me achando um merda. Hoje não está fácil, estou me sentindo um merda, uma total desgraça. O entorno no ajuda muito. Desempregado, sem ninguém, gordo, escrevendo uma Monografia aos trancos e barrancos, tudo parece ruir. E o futuro? Ah, se ele fosse auspicioso. Não o é. Não tenho perspectivas, queria tê-las. Tudo parece um nada e eu penso muito naquela frase que me persegue escrita pela Kerouac "nascidos para morrer".
Sinceramente não enxergo muitos motivos para a existência, sim já escrevi tanto sobre isso... Mas, isso me persegue, eu juro que queria entender a vida e a partir daí traçar um objetivo para a minha. Porém como não consigo fazer a primeira coisa, a segunda se torna praticamente impossível. Hoje estou enxergando o negativo, mais do que nunca. Acho que acumulei muita raiva e muita decepção nesse último ano, sem falar da falta de estímulos sexuais. Me sinto morto. Para dizer a verdade, não sei se não acabei por morrer e não querem me contar.
E o meu funeral... acho que vai ter mais gente rindo do que chorando, não falsa ilusão. Quem iria comemorar? Ninguém! Sou insignificante, tenho de me recolher nessa condição. A minha mania de grandeza não ajuda muito... Eu queria ser tanto, mas sou tão pouco, para tão pouca gente. Nem vale a pena entrar em detalhes. Pelo menos um conforto me resta, alguém me espera: a morte. Ela me espera e não vai me decepcionar.
Sinceramente não enxergo muitos motivos para a existência, sim já escrevi tanto sobre isso... Mas, isso me persegue, eu juro que queria entender a vida e a partir daí traçar um objetivo para a minha. Porém como não consigo fazer a primeira coisa, a segunda se torna praticamente impossível. Hoje estou enxergando o negativo, mais do que nunca. Acho que acumulei muita raiva e muita decepção nesse último ano, sem falar da falta de estímulos sexuais. Me sinto morto. Para dizer a verdade, não sei se não acabei por morrer e não querem me contar.
E o meu funeral... acho que vai ter mais gente rindo do que chorando, não falsa ilusão. Quem iria comemorar? Ninguém! Sou insignificante, tenho de me recolher nessa condição. A minha mania de grandeza não ajuda muito... Eu queria ser tanto, mas sou tão pouco, para tão pouca gente. Nem vale a pena entrar em detalhes. Pelo menos um conforto me resta, alguém me espera: a morte. Ela me espera e não vai me decepcionar.
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
Vespas
Para onde eles vão te levar? Ao céu já foste, ao inferno também, só te restam os lados. Os lados são sempre tortuosos. Gostamos de viver na certeza do plano, para que nossos pés estejam bem firmes. Eu já vi os meus flutuando em ondas magnéticas de origem desconhecida. Foi bom, porém estranho. Deveria ter feito isso? Será que o que eu escrevo faz sentido para alguém? Ou sou apenas mais um atirado ao mundo sem qualquer preparação especial. Este espaço virtual não é muito prestigiado, nem mesmo por mim, ele me parece um vácuo que vai sugar tudo, vai resistir a minha finitude.
Se você já experimentou estados de consciência alterada, deve ter alguma lembrança forte disso. Gostar ou não é secundário, o fato é que deixa uma marca indelével. Depois tudo parece com tons de cinza e você sabe que não vai ser igual aquela vez. Mesmo que você volte da mesma maneira para experimentar outra alteração, será diferente. Não há perenidade nisso, tudo vai influir no momento, que pode ser de gozo ou de sofrimento. Quando falo em estados alterados, me refiro também à aqueles atingidos através do álcool, os quais por vezes, são mais intensos do que o de outras substâncias. A amnésia alcóolica é algo cruel. O medo por achar ter feito ou deixado de fazer alguma coisa é impressionante.
Este texto não diz muita coisa, é um pouco confuso e tenta viajar um pouco. Eu convidaria todos a escutar um pouco de música, um bom progressivo de preferência e ficar pensando, pensando e pensando. Testando sua mente e levá-la aos confins do universo, porque sim: podemos chegar lá! A babilônia é tão perto... Não nos custa nada chegar lá, talvez com a certa iluminação e estado de espírito isso seja possível. Deixe de lado suas preocupações terrenas, esqueça dos molóides que te cercam e deixe acontecer.
Se você já experimentou estados de consciência alterada, deve ter alguma lembrança forte disso. Gostar ou não é secundário, o fato é que deixa uma marca indelével. Depois tudo parece com tons de cinza e você sabe que não vai ser igual aquela vez. Mesmo que você volte da mesma maneira para experimentar outra alteração, será diferente. Não há perenidade nisso, tudo vai influir no momento, que pode ser de gozo ou de sofrimento. Quando falo em estados alterados, me refiro também à aqueles atingidos através do álcool, os quais por vezes, são mais intensos do que o de outras substâncias. A amnésia alcóolica é algo cruel. O medo por achar ter feito ou deixado de fazer alguma coisa é impressionante.
Este texto não diz muita coisa, é um pouco confuso e tenta viajar um pouco. Eu convidaria todos a escutar um pouco de música, um bom progressivo de preferência e ficar pensando, pensando e pensando. Testando sua mente e levá-la aos confins do universo, porque sim: podemos chegar lá! A babilônia é tão perto... Não nos custa nada chegar lá, talvez com a certa iluminação e estado de espírito isso seja possível. Deixe de lado suas preocupações terrenas, esqueça dos molóides que te cercam e deixe acontecer.
sábado, 16 de outubro de 2010
Alvah Goldbook
Ele sempre me pareceu estranho. Estávamos todos nus e ele nem aí, seguia com seu livro em mãos recitando poesias. Criava também, parecia ter jeito para a coisa. Alvah nunca se importou com mulheres, acho que nem gosta delas também, não sei se é gay. Mas perfeitamente poderia ser. Enquanto bebíamos vinho, ele seguia quieto, não gostava de álcool também. Parecia um ser deslocado da nossa loucura zen-budista-transcendental de amor livre. Alguém que prefere livros do que pessoas deve ser admirado. No entanto, deve ser temido. Normalmente ocorre que acaba por ter muita teoria acumulada e não leva as questões para uma lógica prática. Me atreveria, sem modéstia, dizer que ele não vivia. Digo, sem modéstia, pois entendo saber o que é viver. Com certeza não é a maneira do Goldbook, ele é um espectador, um voyeur nato.
Lembro quando o convidei para subir até as montanhas, ele só me disse não. Sem justificativa qualquer. Acho que tinha medo de sair de seu pequeno apartamento, tão aconchegante quanto um útero e desbravar novas aventuras. Não consigo entender alguém que não admire a magia de uma caminhada nas montanhas, aprendi isso com Japhy: o vagabundo mais iluminado. Cada vez que vou àquelas montanhas me sinto mais vivo. Aprendo com cada pedra que vejo pela frente, elas conversam contigo e te dizem tudo que aconteceu nos últimos 15 mil anos. Afinal, elas estão ali e sabem tudo e não tem vergonha de contar. Mas AG não queria nada disso ele sabia tudo pelo Dostoiévski, nunca quis desanimá-lo, mas e se não fosse como na Rússia? A vida muda de rincões em rincões. A dosvidania não é a mesma saudade que sentimos, nem o perdão é o mesmo e eu como católico comum, não entendo os ortodoxos e seu sinal diferente, que diferença faz? Suas barbas longas são continuações de seus pênis pequenos e impotentes.
Fico pensando como ele vai ficar ao ler isso tudo? Como vai reagir? Deixará de me considerar um amigo? As amizades se destroem por tão pouco, sei de tantas histórias. Isso me deixa triste. Mas como admitir que um sujeito possa não gostar de fast cars and hot women, curtindo um jazz adoidado enquanto toma um chá de maçã com alguma coisa a mais. Depois que você mistura cerveja e leite condensado tudo parece diferente, foi ali que minha vida se perdeu por entre os dedos de metalúrgicos do sul do Grande Rio. Eu sempre tentei compreender o que me diziam, isso fez de mim uma pessoa um pouco melhor. Por outro lado, sinto que os demais não levam em consideração o que eu digo e juro, com todas as forças, que tenho algo importante a dizer, ainda mais para Alvah. Não desista irmão, você vai chegar lá, desde que saia dessa sua bolha louca de normalidade.
Lembro quando o convidei para subir até as montanhas, ele só me disse não. Sem justificativa qualquer. Acho que tinha medo de sair de seu pequeno apartamento, tão aconchegante quanto um útero e desbravar novas aventuras. Não consigo entender alguém que não admire a magia de uma caminhada nas montanhas, aprendi isso com Japhy: o vagabundo mais iluminado. Cada vez que vou àquelas montanhas me sinto mais vivo. Aprendo com cada pedra que vejo pela frente, elas conversam contigo e te dizem tudo que aconteceu nos últimos 15 mil anos. Afinal, elas estão ali e sabem tudo e não tem vergonha de contar. Mas AG não queria nada disso ele sabia tudo pelo Dostoiévski, nunca quis desanimá-lo, mas e se não fosse como na Rússia? A vida muda de rincões em rincões. A dosvidania não é a mesma saudade que sentimos, nem o perdão é o mesmo e eu como católico comum, não entendo os ortodoxos e seu sinal diferente, que diferença faz? Suas barbas longas são continuações de seus pênis pequenos e impotentes.
Fico pensando como ele vai ficar ao ler isso tudo? Como vai reagir? Deixará de me considerar um amigo? As amizades se destroem por tão pouco, sei de tantas histórias. Isso me deixa triste. Mas como admitir que um sujeito possa não gostar de fast cars and hot women, curtindo um jazz adoidado enquanto toma um chá de maçã com alguma coisa a mais. Depois que você mistura cerveja e leite condensado tudo parece diferente, foi ali que minha vida se perdeu por entre os dedos de metalúrgicos do sul do Grande Rio. Eu sempre tentei compreender o que me diziam, isso fez de mim uma pessoa um pouco melhor. Por outro lado, sinto que os demais não levam em consideração o que eu digo e juro, com todas as forças, que tenho algo importante a dizer, ainda mais para Alvah. Não desista irmão, você vai chegar lá, desde que saia dessa sua bolha louca de normalidade.
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
Assumindo
Ela nunca teve caderno, não precisava! Por mais improvével que parecesse ela ia em frente. Nem tudo era belo nela e talvez ela fosse mais uma pobre alma que como melhor a oferecer tivesse sua própria confusão. Muitos sentimentos dúbios pairavam por sua cabeça. Ela não se dizia lésbica, apesar de brincar com isso constantemente.
Alguns foram os relacionamentos que ela teve, porém sempre parecia que algo não encaixa, aquele incômodo sentimento de que alguma coisa estava fora do lugar. As pessoas não tinham muito a ver com ela, eram de outras realidades. Ficava a pergunta: porquê ela insistia nisso? Ora, se relacionar-se com opostos parecia um grave engano. E tem mais, ela se dizia muito mais feliz solteira, com saída descompromissada em busca da farra e do álcool. Isso era muito importante, lhe dizia tanto.
A bebida parecia ser a muleta e também o caminho mais fácil para os momentos de felicidade. Bebendo ela tinha justificativa para se soltar e ser quem era de verdade. E sua verdade não era aquela mais simples de entender, nem seria a mais aplaudida. Pode ser que suas escolhas não fossem tão óbvias e que isso não fosse agradar. Escolhas, por vezes é tão difícil tomá-las, se você tem um exército a dizer não, se torna difícil contrariar. E assim ela ia indo entre a fuga e a libertação com as mãos cheias de espinhos de flores malditas pelos heróis mortos.
Alguns foram os relacionamentos que ela teve, porém sempre parecia que algo não encaixa, aquele incômodo sentimento de que alguma coisa estava fora do lugar. As pessoas não tinham muito a ver com ela, eram de outras realidades. Ficava a pergunta: porquê ela insistia nisso? Ora, se relacionar-se com opostos parecia um grave engano. E tem mais, ela se dizia muito mais feliz solteira, com saída descompromissada em busca da farra e do álcool. Isso era muito importante, lhe dizia tanto.
A bebida parecia ser a muleta e também o caminho mais fácil para os momentos de felicidade. Bebendo ela tinha justificativa para se soltar e ser quem era de verdade. E sua verdade não era aquela mais simples de entender, nem seria a mais aplaudida. Pode ser que suas escolhas não fossem tão óbvias e que isso não fosse agradar. Escolhas, por vezes é tão difícil tomá-las, se você tem um exército a dizer não, se torna difícil contrariar. E assim ela ia indo entre a fuga e a libertação com as mãos cheias de espinhos de flores malditas pelos heróis mortos.
terça-feira, 21 de setembro de 2010
Meu amigo morreu numa curva
Tanto se fala nos perigos do trânsito, repetidas vezes, até dizer chega. Mas a verdade é que inconscientemente todos achamos que nunca vai acontecer conosco ou com alguém a nossa volta. Correr é quase algo cultural, misturar volante e álcool também. As tragédias vão se sucedendo. Porém seguimos com nossos ideais de imortalidade, nada pode nos atingir. Eu não tenho carteira, o máximo que faço é esporadicamente andar de Kart. No entanto, sou passageiro em diversas ocasiões, confesso que estímulo as imprudências. Aquela sensação de velocidade me leva até lugares impensáveis. Por antecipação me sinto culpado se algo acontecer, já que eu fomento isso.
Tenho um amigo que não dirige, ele PILOTA! Dá shows, já fez misérias por essa cidade e esse estado. Nunca me preocupei porque sempre estive por perto. Então, era quase inerente que se algo acontecesse eu estaria junto, sofreria as consequências. Mas agora ele comprou uma moto e não sei o que fazer. Eu não estou lá, como suplantar isso? Ele jura que se comporta mais na moto, de qualquer forma as poucas vezes que o vi guiar por pequenos instantes a dita cuja não me pareceu assim. E se algo acontecer o que eu vou fazer? Viver com a culpa? Ou me blindar com o discurso da fatalidade, como se meus incentivos não tivessem nenhum efeito. Eu não quero dizer que meu amigo morreu numa curva... Na mais pura verdade um já morreu o Senna, que era meu ídolo-companheiro de infância e eu só queria que ele corresse mais e mais. Assim é o automobilismo o fator moter é intrínseco. Nós é que não queremos reconhecer. Na Guerra Civil que é o trânsito no Brasil nunca se pode saber quem é o próximo. Posso ser eu o pedestre desavisado ou meu amigo o condutor imprudente. É melhor seguir acreditando na invencibilidade adolescente, ela nos conforta. Que nos leve ao melhor dos caminhos, sem nada para esquecer e com muito o que lembrar. Afinal, temos de contar uma boa história no final.
Tenho um amigo que não dirige, ele PILOTA! Dá shows, já fez misérias por essa cidade e esse estado. Nunca me preocupei porque sempre estive por perto. Então, era quase inerente que se algo acontecesse eu estaria junto, sofreria as consequências. Mas agora ele comprou uma moto e não sei o que fazer. Eu não estou lá, como suplantar isso? Ele jura que se comporta mais na moto, de qualquer forma as poucas vezes que o vi guiar por pequenos instantes a dita cuja não me pareceu assim. E se algo acontecer o que eu vou fazer? Viver com a culpa? Ou me blindar com o discurso da fatalidade, como se meus incentivos não tivessem nenhum efeito. Eu não quero dizer que meu amigo morreu numa curva... Na mais pura verdade um já morreu o Senna, que era meu ídolo-companheiro de infância e eu só queria que ele corresse mais e mais. Assim é o automobilismo o fator moter é intrínseco. Nós é que não queremos reconhecer. Na Guerra Civil que é o trânsito no Brasil nunca se pode saber quem é o próximo. Posso ser eu o pedestre desavisado ou meu amigo o condutor imprudente. É melhor seguir acreditando na invencibilidade adolescente, ela nos conforta. Que nos leve ao melhor dos caminhos, sem nada para esquecer e com muito o que lembrar. Afinal, temos de contar uma boa história no final.
segunda-feira, 20 de setembro de 2010
Nas Barbas dos Judeus
Inspirado no Filme Um Homem Bom
Eles mentiram, eu sei que eles mentiram. Se falava em progresso e num maior sentimento de nacionalismo, mas não no extermínio de uma raça. Meu melhor amigo é um Judeu e o que eu faço? Tento ajudá-lo, contrariando aos ordens superiores, ou cumpro meu dever. Afinal, só estou seguindo ordens. E tem mais: sou apenas um quadro intelectual! Não faço o trabalho sujo, apenas fomento a cultura do Estado. Estado esse que parece ter ganas de devorar a todos e a tudo.
Quando tudo começou a dar errado? As primeiras prisões não pareciam tão absurdas, os locais de cumprimento da pena ainda não pareciam os temidos campos de concentração. A aprovação popular era enorme, maciça. Parecia estar sendo feito aquilo que era correto, de mãos dadas com Deus iríamos perseguir uma melhora. Mas o discurso de pureza começou a tomar conta e os principais líderas apregoavam a limpeza racial, como fator preponderante do sucesso do regime.
Todos admiravam Hitler e poucos viam sua faceta louca e belicosa. Diria simplesmente que ele era um insano. Porém, ficava em uma encruzilhada, já era do partido, fazia parte do regime. Não havia como recuar. Mesmo que seguisse burocraticamente já estaria fazendo algo de errado. Tudo parecia nefasto. De qualquer forma, eu seguia sendo um orgulho para minha mulher, que era mais uma embevecida e convencida pelo nazismo. Ela concordava plenamente com a posição em favor do extermínio da raça "impura". Via com muito maus olhos minha amizade com um Judeu.
Ajudei meu amigo, pelo menos penso ter ajudado, já que não mais o vi. E segui meu caminho colaborando com as autoridades principais e me perguntava: estarei fazendo o certo? Como serei julgado no futuro? Acho que não se pode culpar ninguém por seguir ordens apenas, seria tão errado? A minha parte eu fiz. Estendi a mão a quem eu podia fazê-lo. O futuro irá me responder... espero que não tenha a mesma lógica cruel, que nós estamos usando atualmente por aqui. Eu só segui ordens repito. Não sou um marginal, agi de acordo com a lei, não é o que todos deveríamos fazer? Respeitar as leis? Assim sendo, estou no caminho certo, pois não há lei errada. - Ledo engano. Mas até quando ele será repetido? Até a exaustão já foi!
Eles mentiram, eu sei que eles mentiram. Se falava em progresso e num maior sentimento de nacionalismo, mas não no extermínio de uma raça. Meu melhor amigo é um Judeu e o que eu faço? Tento ajudá-lo, contrariando aos ordens superiores, ou cumpro meu dever. Afinal, só estou seguindo ordens. E tem mais: sou apenas um quadro intelectual! Não faço o trabalho sujo, apenas fomento a cultura do Estado. Estado esse que parece ter ganas de devorar a todos e a tudo.
Quando tudo começou a dar errado? As primeiras prisões não pareciam tão absurdas, os locais de cumprimento da pena ainda não pareciam os temidos campos de concentração. A aprovação popular era enorme, maciça. Parecia estar sendo feito aquilo que era correto, de mãos dadas com Deus iríamos perseguir uma melhora. Mas o discurso de pureza começou a tomar conta e os principais líderas apregoavam a limpeza racial, como fator preponderante do sucesso do regime.
Todos admiravam Hitler e poucos viam sua faceta louca e belicosa. Diria simplesmente que ele era um insano. Porém, ficava em uma encruzilhada, já era do partido, fazia parte do regime. Não havia como recuar. Mesmo que seguisse burocraticamente já estaria fazendo algo de errado. Tudo parecia nefasto. De qualquer forma, eu seguia sendo um orgulho para minha mulher, que era mais uma embevecida e convencida pelo nazismo. Ela concordava plenamente com a posição em favor do extermínio da raça "impura". Via com muito maus olhos minha amizade com um Judeu.
Ajudei meu amigo, pelo menos penso ter ajudado, já que não mais o vi. E segui meu caminho colaborando com as autoridades principais e me perguntava: estarei fazendo o certo? Como serei julgado no futuro? Acho que não se pode culpar ninguém por seguir ordens apenas, seria tão errado? A minha parte eu fiz. Estendi a mão a quem eu podia fazê-lo. O futuro irá me responder... espero que não tenha a mesma lógica cruel, que nós estamos usando atualmente por aqui. Eu só segui ordens repito. Não sou um marginal, agi de acordo com a lei, não é o que todos deveríamos fazer? Respeitar as leis? Assim sendo, estou no caminho certo, pois não há lei errada. - Ledo engano. Mas até quando ele será repetido? Até a exaustão já foi!
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