domingo, 19 de dezembro de 2010

O escolhido (para perder)

Penso sobre uma série de situações, das quais entendo pouco para sair fazendo afirmações. Mesmo assim as faço. Sempre tive interesse em política, com seis anos eu lia a Zero Hora curiosíssimo para chegar até a seção que envolvia o tema. A partir daí sempre acreditei na oposição, via Lula e principalmente Brizola como ícones e minha família seguia essa tendência. Portanto, eu me sentia legitimado. Fui PT na época em que isso deveria significar vergonha, ainda mais nos locais em que vivia e tinha minhas interações sociais. Ser PT para as pessoas de classe média-alta era o mesmo que ser criminoso. Eu gostava disso, sempre fui do contra. Para mim era motivo de orgulho ser diferente, ou pelo menos pensar que era diferente. Claro que com tão pouca idade o máximo que eu tinha de percepção política eram as noções maniqueístas e falaciosas de direita/esquerda.
Vi a ascensão e o Império de Fernando Henrique no Brasil e tudo o que isso representou, mas em sua reeleição tive o prazer de assistir também a eleição de Olívio Dutra como governador do meu estado. Ali tive uma primeira decepção em relação ao então 'meu partido', a gestão do PT no Piratini não foi das melhores, claro tem de ser avaliada a herança maldita deixada por Britto e sua trupe. De qualquer forma seguia acreditando piamente no lulismo e que isso poderia ser a tábua de salvação para o nosso país.
Finalmente veio 2002 e a vitória de Lula depois de tantas tentativas, já um pouco mais maduro acompanhei com emoção sua posse em Brasília e esperava uma guinada forte rumo às conquistas sociais com a sua tomada no governo. Porém, lá chegando, o Partido dos Trabalhadores seguiu a mesma lógica de seus antecessores e parece ter esquecido completamente de seus ideais e promessas anteriores. A ruptura com o FMI, o fim do privilégio aos banqueiros, etc. Tudo continuou. Pelo menos a ALCA foi sepultada. Eu gostava de me referir ao governo Lula como o terceiro mandato de FHC. Decepção pouca era bobagem. Os escândalos ocorridos só ajudaram nisso e vi surgir na luta da coerência dos fundadores do PSOL uma esperança. Minhas restrições ao Lula eram tantas que me vi obrigado no 2º turno do pleito presidencial de 2006 a votar em Geraldo Alckmin, do PSDB (isso ainda me dá asco), sabia que não sairia vitorioso mas era a minha forma de protestar. O novo mandato concedido para Lula teve nova composição de forças, com vitória calcada no Nordeste, parte do país mais beneficiada com as políticas assistencialistas de seu governo. Enquanto que seus históricos sustentadores lhe deram as costas, aqui no Rio Grande do Sul, histórico solo petista ele foi derrotado por Alckmin.
O segundo mandato de Lula não diferiu em grande coisa do primeiro, muitas caridades com as infinitas 'bolsas' e a adequação com o que pediam os atores internacionais. Nem o mais otimista dos lobbistas esperava que nosso presidente foce ser tão dócil com o poder em suas mãos. A grande diferença para mim, ocorreu comigo mesmo. Comecei a relevar os equívocos e avaliar com maior carinho os acertos da administração petista. Em muito isso se deve ao que aprendi e absorvi nesses anos todos, acredito que o homem em sua essência é ruim e que sem o Estado viveriamos no caos teorizado por Hobbes, o que me faz crer na impossibilidade do Comunismo, havendo quando muito a brecha para uma implantação de uma ditadura de esquerda. Além disso, acho que é claro ser também impossível que todos os países e todas as pessoas tenham a mesma condições, a ideia de igualdade é um mito, vendido para acalmar as massas. Então, devemos no máximo conseguir amenizar as desigualdades e controlar a massa de manobra para que exista o menor número de problemas possíveis.
Nunca fui simpático em relação a Dilma Rousseff, ela me parece uma pessoa intragável por natureza. Mas, considerei que um retorno do PSDB a Brasília seria uma temeridade no momento, achava importante soterrar os neoliberais de uma vez por todas e conseguir eleger Dilma seria o tiro de misericórdia. Dando, com isso, oportunidade para uma reestruturação do pensamento oposicionista que ainda age da mesma forma exposta por Collor em 1989. O neoliberalismo está ultrapassado e tem de ser superado por seus defensores. Com isso em mente fui convicto em votar na primeira mulher presidente do Brasil. Apesar de imprensa e dos boatos via Interner, Dilma venceu e a possibilidade de pelo menos mais dois mandatos do PT me parece muito forte. Isso, sem dúvida, irá modificar o Brasil, não sei se para melhor ou pior, mas na mesma não vai ficar. A composição de nossa Corte Superior de justiça é um exemplo disso, temos um negro atualmente nessa corte o que era impensável antigamente. Alguns problemas históricos tem de ser superados, vejo como primordial uma verdadeira laicização do Estado brasileiro, a força da igreja católica ainda é muito grande. Não pode ser assim. Isso impede boa parte das mudanças fundamentais que são necessárias nesse país, vide o aborto e as questões envolvendo as drogas ilícitas.
Eu não sei me definir politicamente, até por não ser um conhecedor do assunto. Parto do princípio que a política é o único caminho para as melhorias dentro da sociedade e que por isso o sistema tem de ser aperfeiçoado, o qual possa impedir tamanha influência do poder econômico nas decisões de nossos governantes e legisladores. Trazendo a conclusão para uma questão micro, vejo que consigo desagradar gregos e troianos. Para aqueles defensores de valores mais conservadores, sou visto como uma reencarnação malfadada de Che Guevara. Por outro lado, os mais fervorosos defensores das políticas de esquerda, me consideram um perfeito e legítimo representante da burguesia, o qual advogaria por um centrismo exacerbado calcado na crença do Estado Democrático de Direito.

2 comentários:

Anti disse...

Daqueles que gastam tempo te caracterizando, me enquadro na segunda categoria.
Mas tu já sabia disso.

Eu ia escrever um puta texto aqui, mas acho que é bobagem. Além do quê, tô cansado e ultimamente ando com vontade de destruir alguma coisa. Mas tua visão política é um alvo contra o qual eu já atirei.

Rodrigo Ramos disse...

Grato por tu não me trucidar dessa vez!