Tanto se fala nos perigos do trânsito, repetidas vezes, até dizer chega. Mas a verdade é que inconscientemente todos achamos que nunca vai acontecer conosco ou com alguém a nossa volta. Correr é quase algo cultural, misturar volante e álcool também. As tragédias vão se sucedendo. Porém seguimos com nossos ideais de imortalidade, nada pode nos atingir. Eu não tenho carteira, o máximo que faço é esporadicamente andar de Kart. No entanto, sou passageiro em diversas ocasiões, confesso que estímulo as imprudências. Aquela sensação de velocidade me leva até lugares impensáveis. Por antecipação me sinto culpado se algo acontecer, já que eu fomento isso.
Tenho um amigo que não dirige, ele PILOTA! Dá shows, já fez misérias por essa cidade e esse estado. Nunca me preocupei porque sempre estive por perto. Então, era quase inerente que se algo acontecesse eu estaria junto, sofreria as consequências. Mas agora ele comprou uma moto e não sei o que fazer. Eu não estou lá, como suplantar isso? Ele jura que se comporta mais na moto, de qualquer forma as poucas vezes que o vi guiar por pequenos instantes a dita cuja não me pareceu assim. E se algo acontecer o que eu vou fazer? Viver com a culpa? Ou me blindar com o discurso da fatalidade, como se meus incentivos não tivessem nenhum efeito. Eu não quero dizer que meu amigo morreu numa curva... Na mais pura verdade um já morreu o Senna, que era meu ídolo-companheiro de infância e eu só queria que ele corresse mais e mais. Assim é o automobilismo o fator moter é intrínseco. Nós é que não queremos reconhecer. Na Guerra Civil que é o trânsito no Brasil nunca se pode saber quem é o próximo. Posso ser eu o pedestre desavisado ou meu amigo o condutor imprudente. É melhor seguir acreditando na invencibilidade adolescente, ela nos conforta. Que nos leve ao melhor dos caminhos, sem nada para esquecer e com muito o que lembrar. Afinal, temos de contar uma boa história no final.
terça-feira, 21 de setembro de 2010
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2 comentários:
a tua visão do mundo é bem diferente da minha
Pq postar anônimo, se eu sei quem tu és?
Obrigado pelo comentário. Esse espaço precisa de incentivo.
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