Ela nunca teve caderno, não precisava! Por mais improvével que parecesse ela ia em frente. Nem tudo era belo nela e talvez ela fosse mais uma pobre alma que como melhor a oferecer tivesse sua própria confusão. Muitos sentimentos dúbios pairavam por sua cabeça. Ela não se dizia lésbica, apesar de brincar com isso constantemente.
Alguns foram os relacionamentos que ela teve, porém sempre parecia que algo não encaixa, aquele incômodo sentimento de que alguma coisa estava fora do lugar. As pessoas não tinham muito a ver com ela, eram de outras realidades. Ficava a pergunta: porquê ela insistia nisso? Ora, se relacionar-se com opostos parecia um grave engano. E tem mais, ela se dizia muito mais feliz solteira, com saída descompromissada em busca da farra e do álcool. Isso era muito importante, lhe dizia tanto.
A bebida parecia ser a muleta e também o caminho mais fácil para os momentos de felicidade. Bebendo ela tinha justificativa para se soltar e ser quem era de verdade. E sua verdade não era aquela mais simples de entender, nem seria a mais aplaudida. Pode ser que suas escolhas não fossem tão óbvias e que isso não fosse agradar. Escolhas, por vezes é tão difícil tomá-las, se você tem um exército a dizer não, se torna difícil contrariar. E assim ela ia indo entre a fuga e a libertação com as mãos cheias de espinhos de flores malditas pelos heróis mortos.
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
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