segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

O Uísque

Era a décima quinta vez que passava o final de ano sem falar com sua família, pela rua caminhava tranquilamente pois ninguém o reconheceria. Não tinha qualquer pessoa para lembrá-lo do seu apelido de infância que ele não gostava, nem de suas proezas de criança.
Não era um sujeito infeliz, mantinha sua dignidade caminhava firme mas tinha medo de seu passado, já nem sabia porque mas temia.

Como de costume passou a virada de ano sozinho em uma pensão no centro da cidade, mudava muito de pensões não era sujeito fácil de ser controlado, tinha problemas de comportamento que não eram condizentes com a sua idade. Seu companheiro fiel era o cachorro engarrafado o velho Scotch, cáuboi como gostava. Enquanto sorvia o líquido lembrava de como tinha sido no ano passado e no anterior e tudo parecia igual só mudava a pensão, sua tradição continuava a mesma no último dia do ano tomava uma dose por hora enquanto isso lia qualquer coisa para distrair sua mente que não era das menos inquietas.

Porque ele nunca via seu filho? Essa pergunta o martelava afinal era sua prole um pedaço ou melhor uma gota de si. Ele sempre teve receios com a paternidade afinal tivera um péssimo pai e temia repetir o feito. Na verdade isso não passava de covardia de sua parte mas pelo menos tinha uma desculpa. Porque temeis o desconhecido se ele não lhe é revelado.

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