Sempre achei que iria acabar sozinho, mais que isso achava que nunca fosse ter um relacionamento. Mas isso é aquela tristeza adolescente de quem não tem tendência a se dar bem tão facilmente. Até aí é achismo e só. No entanto, a partir do momento que alguém concorda com essa suposição fatalista e te diz isso, aí a coisa muda de figura.
Eu não esqueço, ouvi pela primeira vez que ia terminar meus dias solitário no segundo ano e a culpa era da minha irritação, rabugice, etc. Confesso que hoje sou duzentas vezes mais calmo do que era aquela época. O que não é suficiente. Eu sigo achando que vou acabar na fossa e o pior, ainda tem gente que concorda comigo.
Não é de hoje que sei não ser uma pessoa das mais fáceis para se conviver. Até tento mudar, melhorar um pouco, mas não fica muito melhor não. Me resta apostar na teoria do pé torto e do chinelo velho...
Além disso, sempre há a perspectiva de surgir alguma pessoa que valorize minhas qualidades em melhor nota do que meus defeitos e, claro, que se encaixe no que eu quero. Sim, sou exigente! O que não facilita em nada para que minha previsão não se concretize.
segunda-feira, 29 de dezembro de 2008
quinta-feira, 18 de dezembro de 2008
O Palhaço
Ainda lembro dos últimos dias do velho. Ele estava tão pra cima, cheio de alegria, falante, até mesmo sarcástico, isso tudo para quem estava preso a uma cama de hospital havia alguns meses. Mas infelizmente era mais uma vez o clichê médico da melhora da morte dando o ar da graça. Em uma quinta-feira dessas, tivemos uma noite de muitas risadas. Estava tão tranqüilo que fui para casa, a Bia ia ficar por lá mesmo, pensei. Na sexta, que ainda não tinha visto o sol raiar recebo a maldita ligação, daí em diante não vale a pena falar.
Tinha 10 anos, um quase pré-adolescente e para minha surpresa me vi filho de um lar desfeito. Um dia ao chegar da escola meus pais me chamaram para uma conversa, não acreditei no que eu ouvi, até porque a serenidade de ambos ao falar sobre a separação era total. A Ana Beatriz já sabia do ocorrido e sua reação, sua reação foi pegar seu CD favorito e ouvir um bilhão de vezes. Detalhe: ela sempre ouvia o Nevermind um trilhão de vezes por dia. Não deu a mínima! Também, já tinha 17, mais pensava em sair de casa do que em qualquer outra coisa. Mas para mim, era diferente. Como ia ser o domingo, hein como ia ser? E os jogos, quem iria me levar na escola, como ia ser o almoço se o pai não fizesse a oração antes? Dúvidas, dúvidas, dúvidas.
Foi muito difícil, primeiro me culpei, depois pus a culpa neles, na Bia, no Papa. Mas de nada adiantava, a raiva descabiada não me levou a lugar nenhum. Quer dizer, me levou a repetir de ano.
O tempo passa e você deixa de ser só coração, põe um pouco de razão na sua cabeça e fica mais fácil entender. Realmente passei a admirar a atitude dos dois, da forma como lidaram com aquilo e a maneira com que mantiveram o relacionamento pacífico entre ambos e comigo e com a Bia. Ainda bem que arrumei minha cabeça cedo, antes de chegar a esse momento e estar de birra com o pai e o mesmo digo se fosse com a mãe. O importante é não ouvir diálogos do estilo...
" - pai, me ensina a ser palhaço?
pai, me ensina a ser palhaço?
pai, me ensina a ser palhaço !?
- isso não se ensina, seu bosta!"
(Cordel do Fogo Encantado, O Palhaço do Circo Sem Futuro)
Tinha 10 anos, um quase pré-adolescente e para minha surpresa me vi filho de um lar desfeito. Um dia ao chegar da escola meus pais me chamaram para uma conversa, não acreditei no que eu ouvi, até porque a serenidade de ambos ao falar sobre a separação era total. A Ana Beatriz já sabia do ocorrido e sua reação, sua reação foi pegar seu CD favorito e ouvir um bilhão de vezes. Detalhe: ela sempre ouvia o Nevermind um trilhão de vezes por dia. Não deu a mínima! Também, já tinha 17, mais pensava em sair de casa do que em qualquer outra coisa. Mas para mim, era diferente. Como ia ser o domingo, hein como ia ser? E os jogos, quem iria me levar na escola, como ia ser o almoço se o pai não fizesse a oração antes? Dúvidas, dúvidas, dúvidas.
Foi muito difícil, primeiro me culpei, depois pus a culpa neles, na Bia, no Papa. Mas de nada adiantava, a raiva descabiada não me levou a lugar nenhum. Quer dizer, me levou a repetir de ano.
O tempo passa e você deixa de ser só coração, põe um pouco de razão na sua cabeça e fica mais fácil entender. Realmente passei a admirar a atitude dos dois, da forma como lidaram com aquilo e a maneira com que mantiveram o relacionamento pacífico entre ambos e comigo e com a Bia. Ainda bem que arrumei minha cabeça cedo, antes de chegar a esse momento e estar de birra com o pai e o mesmo digo se fosse com a mãe. O importante é não ouvir diálogos do estilo...
" - pai, me ensina a ser palhaço?
pai, me ensina a ser palhaço?
pai, me ensina a ser palhaço !?
- isso não se ensina, seu bosta!"
(Cordel do Fogo Encantado, O Palhaço do Circo Sem Futuro)
sexta-feira, 12 de dezembro de 2008
Objetivos (para você)
A evolução do pensamento e da linguagem permitem uma gama infinita de abstrações, o não conseguir é uma delas. Afinal, não conseguir é impossível. No momento em que você não consegue algo, está conseguindo. Mas convenhamos que essa criação é ótima, pois propicia a possibilidade de apelarmos para um dos sentimentos mais infantis, aquele de espernear e berrar não consigo, não consigo, não consigo! Quando na verdade falta um pouco de vontade, de calma ou paciência. Canalizando suas forças para um determinado objetivo ele dificilmente deixará de ser alcançado. Mas a questão é: você realmente quer?
Podemos nunca admitir, mas algumas situações nunca foram desejadas realmente e por isso não foram alcançadas. Normalmente as pessoas tem algo que é objeto maior de suas reclamações e em uma análise mais profunda, ficará claro que, justamente neste ponto, a pessoa não toma uma real atitude para modificar o que se repete. Nós temos todos comportamentos viciados, aceitos como nosso comum e não fugimos disso. Pois somos nós, ou melhor, é a soma do que achamos que somos com o que os outros pensam de nós e o resultado é o senso comum sobre nossa personalidade. Aquela história do fulano é legal, beltrana é metida, cicrano é nervoso, e por aí vai...
(não ficou uma beleza... mas)
Podemos nunca admitir, mas algumas situações nunca foram desejadas realmente e por isso não foram alcançadas. Normalmente as pessoas tem algo que é objeto maior de suas reclamações e em uma análise mais profunda, ficará claro que, justamente neste ponto, a pessoa não toma uma real atitude para modificar o que se repete. Nós temos todos comportamentos viciados, aceitos como nosso comum e não fugimos disso. Pois somos nós, ou melhor, é a soma do que achamos que somos com o que os outros pensam de nós e o resultado é o senso comum sobre nossa personalidade. Aquela história do fulano é legal, beltrana é metida, cicrano é nervoso, e por aí vai...
(não ficou uma beleza... mas)
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